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De repente percebemo-nos indagando: o que seria a “Negritude”? De imediato, somos induzidos a indagar: por que não falam em “Branquitude” ou “Amarelitude”?

Qual o motivo da existência e uso constante de uma cromatologia tão restrita à raça negra?

Confessamos que não enxergamos a origem. Mas, por questão até de sobrevivência, percebemos que, em algum ponto da existência humana, a nossa condição de “ser negro” foi associada a coisas ruins.

É claro que, nesta altura do jogo, o mais importante é promover uma desassociação, uma vez que é uma condição tão nefasta à nossa cor.

Quais seriam os qualificativos prejudiciais que nos afligem? A resposta é: Todos!!!

Em resumo, tudo que não presta está associado à nossa cor: “o lado negro da história”, a “ovelha negra da família”, etc, etc, etc. A cor negra está associada ao que não presta!

Estabelecida a realidade atual, somos obrigados a indagar: O que poderíamos fazer a nosso favor?

Analisando a Mãe Natureza, podemos perceber que, na vida, nada é dado. Portanto, é preciso fazer algo (trabalho) para receber, em troca, o que se busca. Em sendo verdade tal dedução, somos obrigados a pesquisar o que nos falta fazer para termos, em troca, o que necessitamos.

Considerando a condição de troca, somos induzidos a repensar o que temos feito. Será que nosso trabalho está adequado aos objetivos que buscamos? Não estará faltando alguma atitude? Sim, sabido é que discurso, puramente, não realiza trabalho. O que valida o discurso são as atitudes que ele provoca.

A medalha para último colocado, ao contrário de ser um prêmio, se caracteriza por ser uma fortíssima, e humilhante, advertência para a falta de capacidade reativa e criativa.

Partindo do princípio de que Deus não nos dá nada que não seja nosso ou que não possamos carregar, as culpas, certamente, também nos alcançam. É claro que a generalização sempre foi, e continuará, sendo um erro. O problema é que as estatísticas (mesmo as destorcidas) também falam muito alto. Do que adianta alguém provar que, no oceano, existem cem gotas de água doce? Mesmo que o oceano deixasse de ser salgado, muito tempo levaria para que o contexto de “água salgada” fosse desconectado dele. Toda notícia precisa de tempo para se estabelecer como de conhecimento geral. Tempo para amadurecer. Tempo para se consolidar.

Até hoje, a desassociação dos péssimos adjetivos referentes aos negros, só ocorreram, em parte, para aqueles poucos que conseguiram demonstrar que as associações não eram totalmente corretas. O fato é que esses poucos são gotas de água doce no oceano. Estatisticamente, nada representam. Mesmo considerando que trabalharam muito para terem um pouco de retorno. Esta conta pertence a todos os negros do mundo e não a um grupo apenas. Assim sendo, cremos que já passamos muito tempo esperando a benevolência da humanidade sem obtermos o retorno. Este fato demonstra que algo está faltando. A vida nos mostra que a esmola não tira o mendigo da rua. O que vai dar cidadania ao mendigo é a sua adaptação para viver, de forma digna, no mundo atual. É claro: se o mendigo quiser!

Cremos que precisamos nos conscientizar de que nenhum olhar mudará se não demonstrarmos que estamos empenhados, e realmente evoluindo, para alcançar o resto da humanidade. Não nos será dado prêmio Nobel por nada termos feito em prol de nós próprios. As outras cores têm que aprender a olhar-nos com a vontade justa para enxergar as verdadeiras qualidades que desenvolvermos. Mas não podemos esperar que enxerguem o que não está visível. O objetivo é ver o que há de real. A nossa obrigação é fazer o melhor para mudar esta imagem oceânica contra nós.

Também é preciso levar em conta que nosso oceano de desvantagens já dura séculos. dificilmente poderá ser modificado em poucos anos. O senário desfavorável que temos é real e teremos que trabalhar muito para alterá-lo a nosso favor. E já estamos muito atrasados!

Nenhuma caminhada será terminada se não começar! Precisamos evoluir nossa mentalidade, arregaçar mangas e nos focarmos em nosso aprendizado. Não precisamos de esmolas ou cotas. Precisamos de escolas públicas de qualidade que, somadas com nossos esforços, nos deem armas adequadas para lutarmos, de igual para igual, para evoluirmos por méritos próprios. Nunca duvidarão de nossas capacidades se fizermos provas iguais e tirarmos notas melhores.

Educação de qualidade associada a esforço próprio deverão ser as nossas verdadeiras armas e bandeira para aprimorarmos nossa imagem. Não estamos sofrendo de Branquitude! Estamos alertando para uma realidade prática e técnica. Talvez essa nova maneira de pensar e encarar a vida seja a tão propagada e sonhada Consciência negra.