Ao nos determos observando a sociedade atual somos forçados a nos reportar aos tempos de nossa longínqua infância e, de imediato nos vemos diante da seguinte pergunta: O QUE MUDOU???
A inevitável comparação de épocas nos leva a desconfiar da deterioração dos conceitos Pai e Mãe como uma das inúmeras causas do que temos hoje em nossa sociedade.
Como leigos que somos nas artes da psicologia, não nos arvoramos a afirmar o que quer que seja. No entanto, ainda autorizados a fazer uso da suposta liberdade de opinar quanto ao que possa vir a ser tais conceitos, ousamos expor nossas opiniões.
A nosso ver, Pai e Mãe são funções diuturnas que envolvem diversos atores no decorrer do tempo. Caso estejamos certos em nossas divagações, a cada momento, alguém está desempenhando tais funções, com referência a um determinado indivíduo menor de idade ou incapaz que, doravante, passaremos a tratar apenas por “indivíduo alvo”.
Dando continuidade às nossas elucubrações, podemos ressaltar três classes afetas às funções Pai ou Mãe: O Pai (Mãe) biológico, o Pai (Mãe) jurídico e o Pai (Mãe) de fato.
O Pai (Mãe) biológico: é a origem de tudo visto que, sem a existência de um deles, em situação normal, não haveria a gestação e, por consequência, o nascimento do indivíduo alvo da função. O que nunca significou que ele não possa se desligar do indivíduo gerado por diversos motivos, alguns até em caráter definitivo. Apesar de tudo, o Pai (Mãe) biológico é único e perene;
O Pai (Mãe) jurídico: vem a ser um adulto legalmente responsável pelo indivíduo alvo em algum momento da vida. Tal característica, além de poder também não se eternizar, também pode não estar junto ao indivíduo alvo durante todo o tempo;
O Pai (Mãe) de fato: vem a ser o verdadeiro executor da função, ainda que possa não ser o biológico nem o legal e até mesmo não exercê-la até o prazo previsto (maior idade do indivíduo). Pode ser extremamente transitório e, normalmente, se caracteriza por ser apenas momentâneo.
O motivo para abordar as classes acima se prende ao fato de que, novamente a nosso ver, todos os indivíduos (até os menores de idade) já devem ter exercido ou ainda vão exercer a terceira classe de Pai (Mãe). Os Pais biológico ou jurídico nunca poderão estar ininterruptamente ao lado de seus filhos. Para comprovar tal fato, basta lembrar que a grande maioria dos pais deixam seus filhos nos colégios e seguem para seus trabalhos. Durante o tempo do pai no trabalho quem exerce esta função junto ao filho? Por outro lado, quando alguém auxilia uma criança que, por algum motivo, se desloca sozinha, e precisa atravessar uma via, que função está, naquele exato momento, exercendo?
Qual seria, então, a diferença entre o “ontem“ e o “hoje”?
No “ontem” havia maior respeito pelos mais velhos, o que já não se encontra muito hoje. O medo de ser abertamente desrespeitado faz com que o adulto de hoje, em muitos casos, tema alertar um jovem que demonstre intensões de realizar alguma ação perigosa ou incorreta. Há muito tempo a má formação das crianças se deteriorou gravemente. Tornou-se comum um jovem envolvido com tóxicos ou mesmo de má índole. E a pergunta todos se fazem é: com quem estou falando?
De uns anos para cá, os pais biológicos e/ou jurídicos passaram a entender que somente eles podem exercer tais funções, mesmo quando estão longe dos filhos. O agravante desta realidade é que, por vezes, aqueles pais não exercem suas funções mesmo estando ao lado dos filhos. Como professor, já cansamos de encontrar menores abandonados dentro de lares com poder aquisitivo alto. Os filhos têm ótimas casas, ótima alimentação e ótimos colégios, apesar de serem menores abandonados. Os pais estão focados em suas carreiras e faturamentos. O paradoxo é que, mais tarde, alguns, tem que arranjar tempo, e dinheiro, para livrar os filhos dos vícios e das prisões. Alguns apenas!
Já tivemos o desprazer de ouvir de uma mãe na faculdade onde lecionávamos, que seu filho tinha “má índole” ou era seu “destino” pois, em casa, ele tinha “TUDO”. Será?
E, para piorar, grupos que nos parecem altamente contrários à célula “Família” conseguem induzir politiqueiros mal intencionados a votar leis que criam verdadeiros super escudos para os infratores, além de não permitirem que os jovens tenham responsabilidade pelo que fazem. No “ontem” nós fomos acostumados a ter respeito e responsabilidade desde pequenos. Não se adquire valores de um dia para o outro. Alguns valores eram adquiridos nas escolas, nas ruas, nas casas de amigos. A maioria dos “Pais de fato” tinham esses valores e eram respeitados.
Resumindo, no “hoje”, uma grande maioria de menores estão crescendo sem valores ou regras porque as funções Pai e Mãe foram retiradas dos “Pais de fato”.