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DE QUE POBREZA ESTÃO FALANDO??????

Ligamos a televisão, ou o rádio, ou a internet, ou sei lá a qual mídia possamos abordar!

O papo é sempre o mesmo: PRECISAMOS ACABAR COM A POBREZA!!!!!

Já permanecemos horas e horas pensando sem intender: De que pobreza estão falando????

Sim! Talvez tenhamos alguma lógica em pensar que existem diversas pobrezas na humanidade. Desculpem-nos os intelectuais, eruditos, filósofos e outros mais aquinhoados de cérebro. Nós, os seres comuns que andam pelas ruas sem segurança, sem jatinhos particulares, muitos de buzu, outros poucos com seus modestos carrinhos (E todos sendo enganados, roubados, lesados.) temos contatos com várias pobrezas em nossas vidas. Nesta visão, o “Pobre de espírito, por exemplo, não é proibido de ter grana. Assim, paradoxalmente falando, o pobre pode ser rico (alguns podres de ricos). O egoísta que, psicologicamente, é pobre, normalmente angaria muito dinheiro (que nem sempre era dele). Finalmente, chegamos ao fim do poço: O pobre pobre (Pbr 2) que, de maneira nenhuma, se esforçará para deixar de ser pobre.

Antigamente pensávamos que somente nos países pobres poderíamos encontrar pobres. Pois bem, na penúltima viagem que fizemos aos EEUU, desembarcamos em Miami e alugamos um carro para irmos até Orlando. No meio da viagem, ao parar numa cidadezinha na estrada, entramos em um supermercado para comprar suco para nossos filhos. Diante de um freezer onde somente havia suco de tomate (o americano adora). Perguntamos a um funcionário, que arrumava os produtos expostos, se apenas havia suco de tomate no estabelecimento. Ele, de forma mal educada, sem nos olhar diretamente e demonstrando revolta, nos disse que somente havia o que estava visível no local. Diante do ocorrido, dirigimo-nos à caixa. Descontentes com o atendimento anterior, renovamos a pergunta à jovem da caixa (que além de jovem era muito simpática). Ela, mostrando espanto, nos informou a localização das gôndolas de suco (de inúmeros sabores). Também espantados, relatamos o ocorrido com o outro funcionário. Com ares de clara reprovação, ela nos explicou o que realmente ocorreu:

- O Sr. está vendo aqueles dois prédios do outro lado da rodovia?

Ao que respondemos afirmativamente.

- O da direita, o menor, é uma escola secundária e o outro maior é uma faculdade. Ambos tem convênios com o shopping onde estamos. Pergunte a ele se está disposto a atravessar a rodovia, após o trabalho, para estudar e mudar a própria vida?

   Para ele todos os estrangeiros vem para cá roubar-lhe as oportunidades. Ele sequer diferencia o turista, que traz dinheiro para nós, de um imigrante. Para ele é tudo igual. O pior inimigo dele é o atraso mental em que vive. Ele faz questão de não enxergar as oportunidades. E bota a culpa nos outros.

 

Até hoje reanalisamos constantemente aquela viagem. As perguntas que não querem calar são: aquele tipo de pobre seria o único que existe??? Será que ele somente existe lá nos EEUU???

 

Relembramos nossa origem pobre. Relembramos nossa querida vozinha que sempre nos repetia: meu filho a única luz que vai iluminar seu caminho é a Educação. Aos nove anos, liamos o jornal para ela e ela nos explicava o que significava o que havíamos lido (Ela não tinha estudo. Pronunciava muitas palavras errado. Por exemplo: Inducação, Faucudade, etc. Era uma mulher pobre que, no entanto, nos legou uma riqueza de espírito e consciência de que, para evoluir socialmente, temos que iniciar nossa marcha sob chuva ou Sol e, quando não houver estradas, não devemos parar, chorar ou ficar esperando por milagres. Poderemos até chorar pelas dores naturais da vida, desde que seja andando em frente. E, se não houver estrada na direção que queremos ir, não temos alternativa: abrimos esta nova estrada. A evolução não pode parar.

 

Os governos têm responsabilidade para com a sociedade no sentido de disponibilizar, por exemplo, educação de boa qualidade, segurança, assistência de saúde também boa. No entanto, deve haver um limite de emprego de recursos cobrando a boa utilização das estruturas disponibilizadas.

 

O espírito democrático tem obrigação de respeitar as decisões pessoais de cada cidadão. No entanto, o mesmo direito que ele tem para não querer estudar ou frequentar um curso, mesmo gratuito, também coloca em seus ombros a responsabilidade pelos revezes comuns a esta falta de formação num mundo cada vez mais tecnológico. Em resumo, mesmo em países evoluídos existem pessoas perdedoras (Pobres). Alguns são mais vítimas de si próprios que de outrem. Portanto, ser pobre (Poder aquisitivo baixo) é uma condição real que atinge a muitos. Mas, continuar pobre é uma questão muitas vezes pessoal. O caminho pode não estar visível. Mas isto nunca significou que ele não exista. Quem procura acha! No entanto, ficar sentado colocando a culpa nos outros é bastante fácil, embora não traga evolução.

 

Um fato que, de certa forma, nos mostra esta realidade da vida é a história de uma escolinha na qual cerca de 85% dos alunos são originados de um Quilombo da cidade de Alcântara-MA. Esta escola cujas crianças por vezes residem em casas cujas paredes externas são de palha, que muitas vezes não tem uma alimentação adequada, que não possuem computadores, receberam apoio de unidades do Governo Federal (FAB). Após pouco tempo utilizando uma nova estrutura construída em padrões adequados (salas, banheiros, cozinha, quadras e administração) mostraram os resultados conquistando prêmios em competições culturais chegando a serem homenageados no Ministério da Tecnologia em Brasília-DF. Aquelas crianças estão sendo inoculadas com o vírus da fé em seus esforços e suas capacidades. Estão aprendendo que os esforços bem aplicados, de forma honesta e responsável, rendem frutos. Estão aprendendo a caminhar nas trilhas da evolução. Serão transformados em campeões. Já conhecem o doce sabor da vitória.

 

Com isto podemos provar que, dando estrutura adequada, com professores preparados e incentivando sempre nossas crianças, teremos um país melhor. As falhas, os desmandos e as injustiças já ficaram no passado. Trabalhar no presente para mudar o futuro é responsabilidade de cada um. O ruim já está colocado! A possibilidade de melhorar existe e está com cada um de nós. Falta apenas trabalho de cada um por si e pela sociedade.

 

Finalizando, ser justo é muito complicado. A outra possibilidade é ser bonzinho. Mas sem nos esquecer de que todo bonzinho prejudica alguém. Ser bonzinho é dar a alguém algo a que ela não faz jus. Isto, além de injusto e desleal com outros, vicia. O pior é que o bonzinho nunca tira a ajuda de seu próprio bolso.