A natureza nos mostra, com todas as letras, que as chamadas “brincadeiras” são imprescindíveis no apoio às nossas vidas. O antílope que não consegue aprender a correr e rápido desviar de obstáculos ou predadores estará condenado a virar refeição. Poderíamos até denominar de item de evolução pois, sem tais “brincadeiras” não haveria vida para crescer e procriar. São estes itens que obrigam a evolução dos animais “presas”. Por outro lado, não ocorre diferente com os “predadores”. O leão que não treina sua força, suas técnicas e o uso de suas armas também não sobreviverá. Portanto, ambos se auxiliam na evolução geral. Em qualquer sociedade, quem não está preparado para lidar com as oportunidades está fadado ao insucesso.

Partindo do princípio de que NÓS, Seres Humanos, TEIMAMOS em esquecer que também somos ANIMAIS (talvez a maioria racional????) e que, de uma forma, ou de outra, deveríamos ter continuado com nossos treinamentos básicos de outrora, estamos pagando cada vez mais caro pelo desleixo.

As nossas brincadeiras de “Mestre” nas quais um dos jovens era escolhido para definir as ações e os demais executá-las:

Pular obstáculos, correr determinada distância, etc, na verdade, nos treinava em formular projetos, resolvê-los e nos auto avaliar, além de nos fortalecer para acreditar em nós mesmos, indiferentes das opiniões e gozações dos demais colegas. Havia o Clube do Bolinha (cujo apelido não era Boolin nem depreciava o físico de seus sócios levando-os ao suicídio ou a crimes). Aquela “brincadeira”, em essência, nos ensinava a cair, levantar e continuar na brincadeira.

Pular amarelinha ou mesmo a corda, nos dava coordenação motora que, na verdade, estava nos preparando para, mais lá na frente, aprender a dançar com as garotas e, quem sabe, iniciar um namoro. Nos ensinava a socializar “pessoalmente” e não pelo celular (até porque não tinha). Era tudo olho no olho. O NÃO estava previsto!

Hoje temos que pagar academia para corrigir nossa falta de brincadeiras. Colocamos uma redoma de vidro ao redor de nossos filhos a fim de protege-los das verdades da vida. O problema é que um dia a redoma terá que ser quebrada e quando isto ocorrer, um ser despreparado será jogado, indefeso, no mundo. Quando o leão convida o antílope para dançar e o pobre do antílope ainda pergunta como é a brincadeira é porque já acabou. Ele não sabia que o primeiro item seria reconhecer o leão o mais rápido possível. Agora é tarde!!!

É por isso que, na natureza, qualquer animal velho é virtuoso em algum atributo (ou corre muito, ou é muito venenoso, ou é muito forte, ou sabe se camuflar muito bem, e vai por ai a fora. Sem qualidades não se tem direito à velhice. A manada até pode lhe “ajudar” mais não vai fazer nada por você se não mostrar esforço neste sentido. Somente no mundo dos homens é que o leão é processado por ficar chamando o antílope de “Presa, refeição, lanche, etc”.

A lei da natureza é: “FAZ QUE EU TE AJUDO” E NÃO: Deixa que eu faço! Certamente, graças a esta lei, tanto o antílope quanto o leão estão mais evoluídos.

 

Portanto, antes de polemizar com a lei do desarmamento, libertemos nossas crianças de suas redomas para que possam crescer em contato com a vida real e estarem preparados para se tornarem melhores adultos. Fazendo isto precisaremos bem menos das leis para armar ou desarmar. Existem falhas em nós próprios que não estamos corrigindo.